Sexta semana (Relato do professor)

Bom, enfim terminamos a sexta e última semana do período de “recuperação”. Terminamos?

De fato, no momento em que escrevo isso, não sei. Em algumas turmas eu consegui trabalhar com todas as 12 aulas propostas no Jornal do Aluno, em outras turmas só consegui trabalhar com 10, 9 ou mesmo 8 aulas. E as razões para esse descompasso são muitas, das quais enumero algumas abaixo:

1 – a programação do Jornal do Aluno não previu que algumas aulas são utilizadas para outros fins que não aqueles entendidos como “aula” propriamente dita. Assim, por exemplo, em algumas turmas não tivemos aula porque era preciso distribuir os kits de material do aluno, algumas aulas foram utilizadas para a realização de outras atividades (como reuniões, por exemplo), algumas aulas “sumiram” da grade horária devido às mudanças na própria grade horária ao longo das primeiras semanas, algumas turmas faltaram coletivamente na véspera do feriado e em algumas turmas eu tive que me ausentar de algumas aulas e o professor substituto “não conseguiu trabalhar com o Jornal do Aluno”;

2 – algumas turmas tiveram desempenho melhor do que outras e em alguns casos foi preciso uma dedicação muito maior para iniciar um trabalho bem mais intenso de “recuperação” de atitudes e posturas dos alunos diante de uma nova realidade (caso dos primeiros anos, que chegam ao Ensino Médio com um conceito de escola bem diverso daquele que pretendemos que eles tenham);

3 – o fato de que em algumas turmas as aulas não são duplas dificulta ainda mais o trabalho devido ao tempo perdido entre a troca de professores e às atividades burocráticas obrigatórias de cada aula (como a chamada nominal) ou às atividades necessárias para o andamento das aulas (como a retomada dos assuntos tratados em aulas anteriores e a exposição da pauta da aula).

O saldo final, no entanto, é positivo. O Jornal do Aluno de Física, em que pese os problemas encontrados nele (que foram poucos), o transtorno da logística de uso do mesmo (que nos obrigou a guardá-los na própria escola e redistribuí-los e recolhê-los todos os dias), foi de grande valia e com pequenas adaptações, necessárias para que atendessem à realidade dos meus alunos, contribuiu bastante para que as aulas fossem produtivas.

Na verdade foi muito gratificante ter um material de apoio disponível para os alunos, pois na disciplina de Física não dispomos de material didático de apoio e é o professor que tem que usar sua criatividade para minimizar os prejuízos decorrentes dessa grave falha do sistema paulista de ensino, providenciando ele mesmo meios de fornecer material didático aos alunos. Além disso, a grade horária de física, com duas aulas semanais, é visivelmente insuficiente para que qualquer metodologia de ensino possa apresentar algum resultado concreto não medíocre.

É preciso que também fique claro, por exemplo, que uma grade horária de duas aulas semanais não representa mais do que 40 horas letivas efitavamente levadas à cabo ao longo do ano todo e, qualquer um em seu perfeito juízo pode ver que, com 40 horas/ano ou, equivalentemente, com 120 horas para todos os três anos do Ensino Médio, não se pode oferecer nem mesmo o básico do básico de um curso introdutório de Física.

Apesar de tudo isso, os alunos apresentaram um desempenho razoável na realização das atividades. As habilidades trabalhadas com mais ênfase no material da recuperação são habilidades comuns à outras áreas, além da Física, e creio que esse trabalho conjunto e multidisciplinar tenha favorecido muito uma melhor aprendizagem. A meu ver não é possível “medir” o ganho de domínio dessas habilidades de forma efetiva sem um exame especificamente elaborado para tal, mas creio que os resultados, quando tal exame vier, serão satisfatórios.

Também cabe ressaltar que essa é uma iniciativa “pioneira”, pelo menos nas últimas décadas, de se desenvolver um efetivo trabalho conjunto e orientado na escola paulista, de onde tanto se faz necessário compreender as dificuldades de tal iniciativa quanto as incertezas de seu resultado.

Do ponto de vista dos alunos, temos aqui mesmo no blog uma estatística da aceitação do Jornal do Aluno e do formato dessas aulas nesse início de ano. Como as respostas dadas nesse blog são poucas (14, até o momento) não espero que elas tenham uma precisão estatística relevante, mas ainda assim cabe ressaltar que 56% consideraram as aulas (de todas as disciplinas) boas ou muito boas e 32% as consideraram razoáveis ou ruins.

Em conversas pessoais com meus alunos notei que a maioria (ou, pelo menos, mais que metade deles) acabou não gostando do Jornal do Aluno, sendo que esse sentimento cresceu com o passar do tempo. Esse sentimento se deveu a dificuldade de manuseio (o Jornal do Aluno é “grande” e de difícil manuseio), ao aspecto (o jornal é um material visualmente pobre – sem cores) e a dificuldade de lidar com a proposta pedagógica (leitura, compreensão, trabalho em equipe, autonomia, etc.).

Muitas das pesquisas propostas no Jornal do Aluno na disciplina de Física não puderam ser feitas ou propostas e, dentre as propostas, poucas foram efetivamente feitas pelos alunos (pelas mais variadas razões mas, fundamentalmente, porque eles não têm o hábito de pesquisar e estudar de forma autônoma, visto que não o fizeram no Ensino Fundamental).

Finalmente, embora o próprio Saresp indique que o nível de escolaridade dos alunos do Ensino Médio seja equivalente, em muitos casos, a alunos da quinta ou sexta séries (às vezes menos ainda), o Jornal do Aluno os tratou por diversas vezes como se tivessem um grau de escolaridade correspondente ao Ensino Médio e partiu de pressupostos nem sempre verdadeiros no que diz respeito ao grau de desenvolvimento de outras habilidades que se esperaria dos alunos como pré-requisito facilitador para o desenvolvimento das habilidades trabalhadas no Jornal.

Eu pretendo, na medida do possível, tomar mais uma semana de aulas com a finalização desse trabalho de recuperação com os alunos, quando pretendo avaliar com eles os resultados desse período e, à partir dessa avaliação, traçar rumos para a metodologia a ser empregada nesse ano.

Nos dias 31/03 e 01/04 deveremos ter acesso a um novo material com orientações para o desenvolvimento dos trabalhos no segundo bimestre. Como ainda não tive acesso a esse material não faço idéia de como será, mas espero que possa ajudar a resolver algumas dúvidas cruciais, como a da adequação da proposta à grade curricular irrisória da disciplina de Física.

Com essa postagem dou por encerrada a documentação do andamento das atividades de recuperação no período correspondente às seis primeiras semanas letivas de 2008 e passo a mudar o foco do blog em função das novas atividades desenvolvidas daqui para frente.

Considerações pedagógicas mais sérias e análises sobre as propostas curriculares serão feitas nas próximas semanas no meu outro blog destinado à discussão da educação de forma geral: o blog Aprendendo a Ensinar. Fica aqui o convite para que visitem esses meus blogs regularmente.

2 Respostas to “Sexta semana (Relato do professor)”

  1. neko chan Says:

    favor ne em vez de comentar por favor passe as respostas e explique elas! eu nao consegui fazer as aulas 9 e 10 ta complicado pois eu tenho que fazer com u7m amigo meu esses benditos exercicios sem ajuda da professora diz ela que é questão de interpretação…mas vamos entrar em um acordo ela tem que explicar!! por favor!

  2. José Carlos Antonio Says:

    Neko,

    Já terminamos o uso do Jornal há semanas. Se sua professora ainda está usando o Jornal do Aluno ela já deve estar bastante atrasada com a programação proposta.

    Se tiver alguma dúvida espe´cifica, é só perguntar.

    Abraço,
    JC

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