O Caderno do Professor não é uma apostila

Parece meio óbvio dizer isso, mas talvez não seja assim tão evidente. O Caderno do Professor não é, não foi concebido para ser e nem pode ser usado como uma apostila.

O Caderno do Professor traz uma série de sugestões de atividades, algumas dicas sobre como aplicar essas atividades e, vez por outra, algumas informações extras para o professor sobre o tema tratado na aula.

Nem todas as atividades sugeridas serão possíveis ou mesmo desejáveis conforme a turma e a dinâmica própria de cada escola e de cada classe. Certamente existem outras N (com N bem grande) atividades equivalentes, melhores, piores ou, pelo menos, factíveis e disponíveis que o professor pode realizar com seus alunos. No entanto, se o professor não tiver nada melhor para colocar no lugar, e se tiver condições de realizar a atividade proposta, porque não aceitar algumas das sugestões?

É sabido que poucas escolas dispõem de recursos para reproduzir as atividades e roteiros propostos e distribuir aos alunos. A própria SEE teve que disponibilizar recursos extras para as escolas para garantir a realização da prova de recuperação referente às seis primeiras semanas de aula desse ano. Mas o que a SEE fará em relação à necessidade de reproduzir roteiros de atividades, utilizar equipamentos de laboratório e recursos de multimídia para as milhares de escolas que sequer podem reproduzir provas bimestrais? Acredito que muito pouco, e acho que isso deveria ser repensado se prentendemos de fato ter uma escola melhor.

Eu nunca entendi como uma escola pode ter uma Sala de Informática caríssima e trancada quase o tempo todo e, por outro lado, faltar-lhe giz, as vezes até lousa, papel e recursos para reprodução de textos, provas e atividades. Sem falar dos laboratórios “inexistentes” ou sucateados e transformados em “depósitos de tranqueiras” ou das bibliotecas com milhares de livros e nenhum funcionário para mantê-las abertas, organizadas e disponíveis. Espero que a solução para esses problemas faça parte da proposta e das metas traçadas pela SEE.

Em escolas que não dispõem sequer de recursos para reproduzir “provas” (blérgh! Detesto isso!), é um tanto “imaginário” propor ao professor que ele “reproduza e distribua” roteiros de atividades ou que realize atividades que requerem equipamentos multimidiáticos ou de laboratório, como é sugerido repetidamente no Caderno do Professor. Sentar e chorar também não vai resolver nada.

Copiar os roteiros de atividades propostos na lousa, copiar as figuras (as fotos!), os textos auxiliares, etc. etc. não faz parte da proposta e, muito pelo contrário, vai contra ela e contra as orientações que estão chegando nas escolas desde o início do ano. A cada professor cabe, no momento, resolver por conta própria os novos problemas que foram criados para que os antigos fossem resolvidos. Como fazer isso ainda é problema de cada professor, visto que não há também orientação sobre como “improvisar”. E nem sei se essa improvisação toda faz parte da proposta; espero que não.

De qualquer forma, não tente usar o Caderno do Professor como se fosse uma apostila. Dos males esse será o pior de todos. Então o que fazer? Sei lá… Vamos pensar em alguma coisa.🙂

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: