Dez sugestões para driblar a falta de recursos

Nessa primeira semana de aulas da nova proposta curricular muitos professores já se deram conta de que o caderno do professor traz sugestões de atividades “impraticáveis”; não porque não sejam didacamente boas, mas sim porque muitas escolas não têm recursos para tornar essas atividades factíveis.

Alguns professores já começaram a encontrar seus rumos próprios ou, em outras palavras, estão tentando driblar a miséria com alguma criatividade. Aqui vão algumas sugestões, e se você tiver outras, fique à vontade para mandá-las para esse blog (eu prometo publicá-las):

1 – Use a lousa e sua voz como material didático rotineiro, porém de forma inteligente. Ok, você já faz isso, mas estou falando em “explicar a matéria sem tê-la copiado na lousa” e em usar a lousa apenas para “propor questões gerais e fazer esboços de roteiros” e anotar os pontos relevantes que quer destacar. Se tiver que propor duas ou três questões para os alunos, faça um ditado.

2 – Reproduza textos que possam ser reutilizados em várias classes. Mesmo sem ter recursos para reproduzir textos que possam ser distribuídos para todos os seus alunos, é possível reproduzir 40 cópias apenas, distribuí-las durante a aula e recolhê-las depois para usar com outras salas. Eu sei que isso é de uma pobreza indigna de ser associada com o estado mais rico da federação, mas ainda assim é melhor do que não ter texto nenhum para dar na mão do aluno. Solicite o recurso à gestão da escola (isso é problema da gestão) e coloque essa questão para os pais nas reuniões de pais.

3 – Use a Sala de Informática. “Quebre” aqueles malditos cadeados e faça a gestão perceber (quando for o caso) que será preciso usar recursos multimídia e a Sala de Informática. Muitos bons textos, vídeos e programas podem ser encontrados na Internet, mesmo que seus alunos tenham que formar grupos de quatro, às vezes cinco alunos, na frente de um único computador; ainda assim isso é melhor do que nada.

4 – Produza seus próprios materiais. Escaneie fotos e tabelas, use um processador de textos e produza você mesmo os textos e roteiros que utilizará com os alunos. Se sua escola não tem um scaner, peça à gestão para que providencie um. Isso é problema da gestão e se a gestão não conseguir recursos para comprar um (que custa em torno de R$ 150,00, ou R$ 300,00 na forma de impressora multifuncional), lembre-a de que a proposta curricular depende também das ações da gestão e não apenas da boa vontade dos professores. Obter esses recursos é problema da gestão e não do professor (“Ema ema ema, cada um com seu problema!”).

5 – Use o datashow sempre que possível. O que, sua escola ainda não tem um datashow? Ótimo, vá de novo encher o saco da gestão e lembre-a de que isso é problema dela. O seu problema é não deixar esse recurso apodrecer, como apodreceram os computadores de muitas Salas de Informática por falta de uso, quer porque o professor sempre teve preguiça de aprender a usá-los, quer porque a gestão é burra e prefere manter as Salas de Informática fechadas “para não quebrar os computadores”.

6 – Faça um blog, como esse aqui, ou muito melhor que esse, e disponibilize nele parte do material de consulta do aluno. Depois me mande o link do seu blog e vamos linkar todos esses blogs. Os alunos usam a Internet rotineiramente e as Salas de Informática das escolas devem estar abertas e conectadas para permitir que isso possa ser feito. Se não estão, peça à gestão que abra. Se a gestão não abrir, mande um e-mail diretamente para a Secretaria da Educação e solicite a abertura da Sala de Informática da sua escola. (“Ema ema ema, cada um com seu problema!”).

7 – Transforme sua aula em um espaço de trabalho do aluno. Chega de deixar o Joãozinho apenas copiar textos e depois mostrar o caderninho para a mãe dizendo que aprendeu algo. Coloque os garotos para pensar, divida-os em grupos, dê-lhes tarefas para fazer durante a aula e passe lições para casa. Se queremos que eles aprendam então temos que ensiná-los que não se aprende apenas dormindo na sala de aula ou trocando fofocas sobre quem está ficando com quem.

8 – Faça você mesmo pesquisas na Internet sobre os assuntos que está ensinando e sugira aos alunos que façam essas mesmas pesquisas na Internet (mas faça você antes deles, senão você corre o risco de continuar tendo o eterno copy-past daqueles trabalhinhos chulés que eles entregam). Peça resumos dessas pesquisas no caderno. Proponha questões como desafio “para casa” e indique como poderão encontrar essas soluções pesquisando na Internet.

9 – Se você precisa de materiais de laboratório e sua escola não têm, peça aos alunos que providenciem o que puderem e novamente vá encher o saco da gestão da escola. Monte, aos poucos, seu próprio laboratório, seus kits de atividades e um portifólio de “aulas prontas” sobre cada assunto. Você não conseguirá isso tudo de um dia para outro, mas conseguirá ao longo do tempo. Troque informações com os colegas, compartilhe idéias e sugestões e…

10 – Finalmente, pare de reclamar da sua escola e de seus alunos e começe a reclamar diretamente com Secretaria de Educação. Entupa a caixa postal deles com solicitações de material e recursos, faça as perguntas para as quais não lhe dão respostas na escola, dê sugestões, aponte os problemas e coloque esse pessoal para trabalhar na função deles, que não é apenas a de nos solicitar que façamos o nosso trabalho, mas também a de criar condições para que o façamos bem.

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