Archive for the ‘professor’ Category

Terceiro ano – situação de aprendizagem 3

abril 7, 2008

Se você não for professor, pode pular esse texto.

Alguém aí tem 3 lâmpadas de 3 V, 2 pilhas de 1,5 V, fios tipo “cabinho” (sic), 2 jacarés (opcional) (?) e 3 soquetes de lâmpadas pequenas?

Não tem? Como não? Tem que ter! E tem que ter isso vezes 6, no mínimo, para poder fazer essa atividade com a classe toda. Moleza né?

Eu não tenho esses troços, mas tenho um material bem melhor que juntei ao longo dos três últimos anos como parte de um projeto para o reaparelhamento do Laboratório de Física da minha escola. Por isso vou fazer a atividade proposta no maior sossego. Não exatamente como está proposta, porque já tenho outras que faço com roteiros prontos e adaptados ao meu material, e porque nem posso reproduzir esse material do Caderno do Professor (lembre-se de que a Secretaria da Educação nos proibiu de reproduzir esse material na Internet).

Então aqui vai uma sugestão caso você seja um professor de física sem laboratório e sua escola não tenha recursos para que você adquira esses componentes:
1 – ao invés de lâmpada use leds, são muito mais baratos, interessantes e, acredite, também acendem!
2 – peça para os alunos trazerem as pilhas (caso não queira gastar parte do seu poderoso bônus comprando 12 pilhas de 1,5 V).
3 – cuidado para não queimar os leds. Claro, é melhor aprender um pouco sobre leds antes de fazer a atividade.

Também é bom se lembrar de que toda atividade experimental deve antes ser feita pelo professor para “evitar surpresas de última hora” e que para cada hora de aula experimental são necessárias no mínimo quatro horas de elaboração da atividade, do roteiro e da aula propriamente dita. 🙂

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Segundo ano – situação de aprendizagem 4

abril 7, 2008

Infelizmente a Secretaria de Educação me proibiu de escanear e publicar na Internet o roteiro da atividade 4: Construindo um termômetro. Até que é uma boa proposta para se deixar como tarefa de casa para grupos de três alunos (mas impraticável para ser feita em UMA aula).

Em substituição, pretendo levar os alunos para o laboratório para estudar o aquecimento/resfriamento de um corpo usando um termômetro de verdade. Vou disponibilizar o roteiro da atividade no meu site ao longo dessa semana e pretendo fazer a atividade na semana que vem.

Além da manipulação do termômetro e da coleta de dados os alunos também construirão uma curva de aquecimento para o experimento e, enfim, aprenderão uma porção de coisas (veja a atividade quando estiver disponível no site – lembrando sempre que todo o material que utilizo, exceto esse Caderno do Professor que não posso dsitribuir, fica disponível na Biblioteca Online na pasta dos Alunos e sa subpasta de materiais didáticos específicos).

Segundo ano – situação de aprendizagem 3

abril 7, 2008

Se você não é professor, pode pular esse texto.

Acredito que o objetivo dessa atividade seja apenas o de criar uma “aula vazia”, visto que essa atividade (levantamento de 20 diferentes temperaturas de diferentes elementos) serve apenas de pretexto para se dizer que há diferentes instrumentos de medida de temperatura e, sinceramente, não creio que os alunos farão essa pesquisa e nem que teremos condições de avaliar se a pesquisa traz dados corretos ou não.

Talvez fosse mais interessante pedir uma pesquisa sobre diferentes instrumentos de medida de temperatura e algumas aplicações e usos desses instrumentos. De qualquer forma, visite antes a página da Wikipédia sobre esse assunto. Lá há um item que fala sobre a medição da temperatura e fornece links para alguns aparelhos de medida.

Primeiro ano – situação de aprendizagem 3

abril 7, 2008

Se você não for professor de Física não precisa ler isso, passe adiante.

A situação de aprendizagem 3 (na aula 3) do primeiro ano é algo que eu preferiria usar um palavrão para descrever, mas como estou calmo não usarei.

Sugere-se que levemos a classe toda para fora da escola, na rua, para fazermos medições de velocidade usando uma fita métrica ou uma trena para medir a distância de um quarteirão a outro e tabelarmos depois esses resultados. A partir daí deve-se calcular as velocidades médias de cada veículo em dois sistemas de unidades (já falamos sobre isso com eles?) e então os alunos devem elaborar um relatório minuncioso sobre o que fizeram. E TUDO ISSO EM UMA AULA APENAS!!! Como dizem meus alunos: só por Deus! Ninguém merece!

Alguém aí deveria saber que não podemos tirar os alunos da escola sem a autorização dos pais ou responsáveis, mesmo que para levá-los do outro lado da rua. Ou será que podemos agora, com a nova proposta curricular?

Enfim, resumindo: esqueça essa besteira. Se quiser fazer uma atividade prática e não tiver recursos na sua escola, e se quiser tirar seus alunos da sala de aula, leve-os para o pátio com algumas bolinhas de gude, façam dois riscos no chão, distanciados de uns dois ou três metros, e peça para que joguem as bolinhas com diferentes velocidades e calculem então essa velocidade a partir da distância entre as marcas no chão e do tempo medido. Fica mais interessante se você dividir a classe em grupos de dois alunos (um joga a bolinha e o outro mede o tempo).

Como relatório, peça a descrição da atividade e um resumo do que observaram e aprenderam.

A última sugestão do Caderno do Professor para essa aula (na verdade para “mais uma aula”, como se até aqui já não fosse necessário duas aulas) é que se faça um gráfico de distância X tempo a fim de se obter a função matemática que descreve o gráfico (e o movimento). Bobagem, a atividade, da forma como proposta, não resume dados suficientes. Caso você seja meio mágico e consiga tempo para tal, experimente refazer a atividade usando várias marcas no chão, tabele os tempos e as distâncias, leve os alunos para a Sala de Informática e faça um gráfico no Excel. Viajei? Vai ver ando lendo muito esse Caderno do Professor. 🙂

Cuidado com a "Situação de aprendizagem 2" da primeira série

abril 7, 2008

Se você não for professor não perca seu tempo lendo essa postagem.

O assunto diz respeito à Situação de aprendizagem 2 – Identificando as variáveis relevantes de um movimento, referente ao Caderno do Professor da primeira série.

A proposta inicial baseada em analisar as placas desenhadas pelos alunos é boa e recomendo que se peça aos alunos que esbocem rapidamente essas placas na lousa (somente placas diferentes) até que se tenha uma quantidade suficiente para que os três casos de interesse (velocidade, deslocamento e tempo) apareçam pelo menos uma vez.

O problema que justifica o “cuidado” que aparece no título dessa postagem diz respeito à informação passada sobre a lombada eletrônica. Ao contrário do que diz o texto do Caderno do Professor elas não são ativadas pela pressão dos pneus e sim por laços indutivos (como nos detectores de metal). Esse assunto já foi tratado no jornal do aluno dos seguntos e terceiros anos no período de recuperação e há um arquivo sobre lombadas eletrônicas disponível na Biblioteca Online do meu site que explica em detalhes o seu funcionamento.

Ou problema diz respeito à forma como se sugere que sejam tratadas as velocidades média e instantânea. Uma coisa é definir matematicamente o que sejam e depois passar a resolver probleminhas sem graça, outra bem diferente é propor probleminhas sem graça e depois (de muito trabalho) definir matematicamente as grandezas. Não sei qual é o pior.

Na dúvida prefiro partir do pressuposto de que todos os alunos já têm uma idéia do conceito de velocidade e compreendem bem o que significa ter uma velocidade de 60 km/h, por exemplo, para, partindo daí, simplesmente formalizar a maneira (fórmula!) como se calcula isso quando o tempo referido não corresponde a unidade (como, por exemplo, quando o carro anda 120 km em duas horas). Daí para a velocidade instantânea, talvez melhor do que falar para alunos do primeiro ano sobre efeito doppler e ondas eletromagnéticas, seja melhor simplesmente lembrá-los de que seus automóveis já indicam essa velocidade nos seus velocímetros e que ela corresponde a uam velocidade “média” calculada em um tempo muito pequeno.

Material didático de apoio

abril 6, 2008

Se ainda não se deu conta, repare bem que a proposta curricular de Física e grande parte das atividades sugeridas estão muito proximamente ligadas ao material didático produzido pelo GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino de Física).

O GREF, por sua vez, fornece uma edição digitalizada de todo esse material, denominado “Leituras em Física“, e a disponibiliza em seu site.

Esse material do GREF também está disponível no formato aula-a-aula no site da CENP e na Biblioteca Online do meu site. Por isso, se você, aluno ou professor, não o baixou ainda, baixe-o agora mesmo e começe a usá-lo.

Dez sugestões para driblar a falta de recursos

abril 6, 2008

Nessa primeira semana de aulas da nova proposta curricular muitos professores já se deram conta de que o caderno do professor traz sugestões de atividades “impraticáveis”; não porque não sejam didacamente boas, mas sim porque muitas escolas não têm recursos para tornar essas atividades factíveis.

Alguns professores já começaram a encontrar seus rumos próprios ou, em outras palavras, estão tentando driblar a miséria com alguma criatividade. Aqui vão algumas sugestões, e se você tiver outras, fique à vontade para mandá-las para esse blog (eu prometo publicá-las):

1 – Use a lousa e sua voz como material didático rotineiro, porém de forma inteligente. Ok, você já faz isso, mas estou falando em “explicar a matéria sem tê-la copiado na lousa” e em usar a lousa apenas para “propor questões gerais e fazer esboços de roteiros” e anotar os pontos relevantes que quer destacar. Se tiver que propor duas ou três questões para os alunos, faça um ditado.

2 – Reproduza textos que possam ser reutilizados em várias classes. Mesmo sem ter recursos para reproduzir textos que possam ser distribuídos para todos os seus alunos, é possível reproduzir 40 cópias apenas, distribuí-las durante a aula e recolhê-las depois para usar com outras salas. Eu sei que isso é de uma pobreza indigna de ser associada com o estado mais rico da federação, mas ainda assim é melhor do que não ter texto nenhum para dar na mão do aluno. Solicite o recurso à gestão da escola (isso é problema da gestão) e coloque essa questão para os pais nas reuniões de pais.

3 – Use a Sala de Informática. “Quebre” aqueles malditos cadeados e faça a gestão perceber (quando for o caso) que será preciso usar recursos multimídia e a Sala de Informática. Muitos bons textos, vídeos e programas podem ser encontrados na Internet, mesmo que seus alunos tenham que formar grupos de quatro, às vezes cinco alunos, na frente de um único computador; ainda assim isso é melhor do que nada.

4 – Produza seus próprios materiais. Escaneie fotos e tabelas, use um processador de textos e produza você mesmo os textos e roteiros que utilizará com os alunos. Se sua escola não tem um scaner, peça à gestão para que providencie um. Isso é problema da gestão e se a gestão não conseguir recursos para comprar um (que custa em torno de R$ 150,00, ou R$ 300,00 na forma de impressora multifuncional), lembre-a de que a proposta curricular depende também das ações da gestão e não apenas da boa vontade dos professores. Obter esses recursos é problema da gestão e não do professor (“Ema ema ema, cada um com seu problema!”).

5 – Use o datashow sempre que possível. O que, sua escola ainda não tem um datashow? Ótimo, vá de novo encher o saco da gestão e lembre-a de que isso é problema dela. O seu problema é não deixar esse recurso apodrecer, como apodreceram os computadores de muitas Salas de Informática por falta de uso, quer porque o professor sempre teve preguiça de aprender a usá-los, quer porque a gestão é burra e prefere manter as Salas de Informática fechadas “para não quebrar os computadores”.

6 – Faça um blog, como esse aqui, ou muito melhor que esse, e disponibilize nele parte do material de consulta do aluno. Depois me mande o link do seu blog e vamos linkar todos esses blogs. Os alunos usam a Internet rotineiramente e as Salas de Informática das escolas devem estar abertas e conectadas para permitir que isso possa ser feito. Se não estão, peça à gestão que abra. Se a gestão não abrir, mande um e-mail diretamente para a Secretaria da Educação e solicite a abertura da Sala de Informática da sua escola. (“Ema ema ema, cada um com seu problema!”).

7 – Transforme sua aula em um espaço de trabalho do aluno. Chega de deixar o Joãozinho apenas copiar textos e depois mostrar o caderninho para a mãe dizendo que aprendeu algo. Coloque os garotos para pensar, divida-os em grupos, dê-lhes tarefas para fazer durante a aula e passe lições para casa. Se queremos que eles aprendam então temos que ensiná-los que não se aprende apenas dormindo na sala de aula ou trocando fofocas sobre quem está ficando com quem.

8 – Faça você mesmo pesquisas na Internet sobre os assuntos que está ensinando e sugira aos alunos que façam essas mesmas pesquisas na Internet (mas faça você antes deles, senão você corre o risco de continuar tendo o eterno copy-past daqueles trabalhinhos chulés que eles entregam). Peça resumos dessas pesquisas no caderno. Proponha questões como desafio “para casa” e indique como poderão encontrar essas soluções pesquisando na Internet.

9 – Se você precisa de materiais de laboratório e sua escola não têm, peça aos alunos que providenciem o que puderem e novamente vá encher o saco da gestão da escola. Monte, aos poucos, seu próprio laboratório, seus kits de atividades e um portifólio de “aulas prontas” sobre cada assunto. Você não conseguirá isso tudo de um dia para outro, mas conseguirá ao longo do tempo. Troque informações com os colegas, compartilhe idéias e sugestões e…

10 – Finalmente, pare de reclamar da sua escola e de seus alunos e começe a reclamar diretamente com Secretaria de Educação. Entupa a caixa postal deles com solicitações de material e recursos, faça as perguntas para as quais não lhe dão respostas na escola, dê sugestões, aponte os problemas e coloque esse pessoal para trabalhar na função deles, que não é apenas a de nos solicitar que façamos o nosso trabalho, mas também a de criar condições para que o façamos bem.

O Caderno do Professor não é uma apostila

abril 5, 2008

Parece meio óbvio dizer isso, mas talvez não seja assim tão evidente. O Caderno do Professor não é, não foi concebido para ser e nem pode ser usado como uma apostila.

O Caderno do Professor traz uma série de sugestões de atividades, algumas dicas sobre como aplicar essas atividades e, vez por outra, algumas informações extras para o professor sobre o tema tratado na aula.

Nem todas as atividades sugeridas serão possíveis ou mesmo desejáveis conforme a turma e a dinâmica própria de cada escola e de cada classe. Certamente existem outras N (com N bem grande) atividades equivalentes, melhores, piores ou, pelo menos, factíveis e disponíveis que o professor pode realizar com seus alunos. No entanto, se o professor não tiver nada melhor para colocar no lugar, e se tiver condições de realizar a atividade proposta, porque não aceitar algumas das sugestões?

É sabido que poucas escolas dispõem de recursos para reproduzir as atividades e roteiros propostos e distribuir aos alunos. A própria SEE teve que disponibilizar recursos extras para as escolas para garantir a realização da prova de recuperação referente às seis primeiras semanas de aula desse ano. Mas o que a SEE fará em relação à necessidade de reproduzir roteiros de atividades, utilizar equipamentos de laboratório e recursos de multimídia para as milhares de escolas que sequer podem reproduzir provas bimestrais? Acredito que muito pouco, e acho que isso deveria ser repensado se prentendemos de fato ter uma escola melhor.

Eu nunca entendi como uma escola pode ter uma Sala de Informática caríssima e trancada quase o tempo todo e, por outro lado, faltar-lhe giz, as vezes até lousa, papel e recursos para reprodução de textos, provas e atividades. Sem falar dos laboratórios “inexistentes” ou sucateados e transformados em “depósitos de tranqueiras” ou das bibliotecas com milhares de livros e nenhum funcionário para mantê-las abertas, organizadas e disponíveis. Espero que a solução para esses problemas faça parte da proposta e das metas traçadas pela SEE.

Em escolas que não dispõem sequer de recursos para reproduzir “provas” (blérgh! Detesto isso!), é um tanto “imaginário” propor ao professor que ele “reproduza e distribua” roteiros de atividades ou que realize atividades que requerem equipamentos multimidiáticos ou de laboratório, como é sugerido repetidamente no Caderno do Professor. Sentar e chorar também não vai resolver nada.

Copiar os roteiros de atividades propostos na lousa, copiar as figuras (as fotos!), os textos auxiliares, etc. etc. não faz parte da proposta e, muito pelo contrário, vai contra ela e contra as orientações que estão chegando nas escolas desde o início do ano. A cada professor cabe, no momento, resolver por conta própria os novos problemas que foram criados para que os antigos fossem resolvidos. Como fazer isso ainda é problema de cada professor, visto que não há também orientação sobre como “improvisar”. E nem sei se essa improvisação toda faz parte da proposta; espero que não.

De qualquer forma, não tente usar o Caderno do Professor como se fosse uma apostila. Dos males esse será o pior de todos. Então o que fazer? Sei lá… Vamos pensar em alguma coisa. 🙂

É proibido reproduzir o Caderno do Professor do primeiro bimestre

abril 5, 2008

Segundo comunicação que recebi da Secretaria da Educação, em resposta a um pedido de informação que fiz sobre a disponibilidade dos Cadernos do Professor no formato eletrônico (digitalizado), isso não ocorrerá “por motivos legais e técnicos” (aspas apenas para destaque).

Nem imagino quais seriam os motivos “legais”, mas vou tentar descobrir quais são, visto que pretendo disponibilizar algumas atividades no formato digital para meus alunos e para os colegas professores. Na página de créditos do Caderno do Professor a informação que consta é:

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei n 9.610/98.

* Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais.

Uma vez que o Caderno do Professor não informa quais são os direitos autorais protegidos contidos na obra, e nem informa quais são os textos e demais obras em domínio público, fica virtualmente impossível reproduzir e divulgar qualquer coisa desse material, salvo entendimento em contrário.

Quanto aos “problemas técnicos”… Francamente, se até eu que sou um reles professorzinho de Ensino Médio do interior tenho como digitalizar e publicar esse caderno, não vejo como uma secretaria com tantos recursos não possa fazê-lo (em se querendo, é claro).

Sexta semana (Relato do professor)

março 29, 2008

Bom, enfim terminamos a sexta e última semana do período de “recuperação”. Terminamos?

De fato, no momento em que escrevo isso, não sei. Em algumas turmas eu consegui trabalhar com todas as 12 aulas propostas no Jornal do Aluno, em outras turmas só consegui trabalhar com 10, 9 ou mesmo 8 aulas. E as razões para esse descompasso são muitas, das quais enumero algumas abaixo:

1 – a programação do Jornal do Aluno não previu que algumas aulas são utilizadas para outros fins que não aqueles entendidos como “aula” propriamente dita. Assim, por exemplo, em algumas turmas não tivemos aula porque era preciso distribuir os kits de material do aluno, algumas aulas foram utilizadas para a realização de outras atividades (como reuniões, por exemplo), algumas aulas “sumiram” da grade horária devido às mudanças na própria grade horária ao longo das primeiras semanas, algumas turmas faltaram coletivamente na véspera do feriado e em algumas turmas eu tive que me ausentar de algumas aulas e o professor substituto “não conseguiu trabalhar com o Jornal do Aluno”;

2 – algumas turmas tiveram desempenho melhor do que outras e em alguns casos foi preciso uma dedicação muito maior para iniciar um trabalho bem mais intenso de “recuperação” de atitudes e posturas dos alunos diante de uma nova realidade (caso dos primeiros anos, que chegam ao Ensino Médio com um conceito de escola bem diverso daquele que pretendemos que eles tenham);

3 – o fato de que em algumas turmas as aulas não são duplas dificulta ainda mais o trabalho devido ao tempo perdido entre a troca de professores e às atividades burocráticas obrigatórias de cada aula (como a chamada nominal) ou às atividades necessárias para o andamento das aulas (como a retomada dos assuntos tratados em aulas anteriores e a exposição da pauta da aula).

O saldo final, no entanto, é positivo. O Jornal do Aluno de Física, em que pese os problemas encontrados nele (que foram poucos), o transtorno da logística de uso do mesmo (que nos obrigou a guardá-los na própria escola e redistribuí-los e recolhê-los todos os dias), foi de grande valia e com pequenas adaptações, necessárias para que atendessem à realidade dos meus alunos, contribuiu bastante para que as aulas fossem produtivas.

Na verdade foi muito gratificante ter um material de apoio disponível para os alunos, pois na disciplina de Física não dispomos de material didático de apoio e é o professor que tem que usar sua criatividade para minimizar os prejuízos decorrentes dessa grave falha do sistema paulista de ensino, providenciando ele mesmo meios de fornecer material didático aos alunos. Além disso, a grade horária de física, com duas aulas semanais, é visivelmente insuficiente para que qualquer metodologia de ensino possa apresentar algum resultado concreto não medíocre.

É preciso que também fique claro, por exemplo, que uma grade horária de duas aulas semanais não representa mais do que 40 horas letivas efitavamente levadas à cabo ao longo do ano todo e, qualquer um em seu perfeito juízo pode ver que, com 40 horas/ano ou, equivalentemente, com 120 horas para todos os três anos do Ensino Médio, não se pode oferecer nem mesmo o básico do básico de um curso introdutório de Física.

Apesar de tudo isso, os alunos apresentaram um desempenho razoável na realização das atividades. As habilidades trabalhadas com mais ênfase no material da recuperação são habilidades comuns à outras áreas, além da Física, e creio que esse trabalho conjunto e multidisciplinar tenha favorecido muito uma melhor aprendizagem. A meu ver não é possível “medir” o ganho de domínio dessas habilidades de forma efetiva sem um exame especificamente elaborado para tal, mas creio que os resultados, quando tal exame vier, serão satisfatórios.

Também cabe ressaltar que essa é uma iniciativa “pioneira”, pelo menos nas últimas décadas, de se desenvolver um efetivo trabalho conjunto e orientado na escola paulista, de onde tanto se faz necessário compreender as dificuldades de tal iniciativa quanto as incertezas de seu resultado.

Do ponto de vista dos alunos, temos aqui mesmo no blog uma estatística da aceitação do Jornal do Aluno e do formato dessas aulas nesse início de ano. Como as respostas dadas nesse blog são poucas (14, até o momento) não espero que elas tenham uma precisão estatística relevante, mas ainda assim cabe ressaltar que 56% consideraram as aulas (de todas as disciplinas) boas ou muito boas e 32% as consideraram razoáveis ou ruins.

Em conversas pessoais com meus alunos notei que a maioria (ou, pelo menos, mais que metade deles) acabou não gostando do Jornal do Aluno, sendo que esse sentimento cresceu com o passar do tempo. Esse sentimento se deveu a dificuldade de manuseio (o Jornal do Aluno é “grande” e de difícil manuseio), ao aspecto (o jornal é um material visualmente pobre – sem cores) e a dificuldade de lidar com a proposta pedagógica (leitura, compreensão, trabalho em equipe, autonomia, etc.).

Muitas das pesquisas propostas no Jornal do Aluno na disciplina de Física não puderam ser feitas ou propostas e, dentre as propostas, poucas foram efetivamente feitas pelos alunos (pelas mais variadas razões mas, fundamentalmente, porque eles não têm o hábito de pesquisar e estudar de forma autônoma, visto que não o fizeram no Ensino Fundamental).

Finalmente, embora o próprio Saresp indique que o nível de escolaridade dos alunos do Ensino Médio seja equivalente, em muitos casos, a alunos da quinta ou sexta séries (às vezes menos ainda), o Jornal do Aluno os tratou por diversas vezes como se tivessem um grau de escolaridade correspondente ao Ensino Médio e partiu de pressupostos nem sempre verdadeiros no que diz respeito ao grau de desenvolvimento de outras habilidades que se esperaria dos alunos como pré-requisito facilitador para o desenvolvimento das habilidades trabalhadas no Jornal.

Eu pretendo, na medida do possível, tomar mais uma semana de aulas com a finalização desse trabalho de recuperação com os alunos, quando pretendo avaliar com eles os resultados desse período e, à partir dessa avaliação, traçar rumos para a metodologia a ser empregada nesse ano.

Nos dias 31/03 e 01/04 deveremos ter acesso a um novo material com orientações para o desenvolvimento dos trabalhos no segundo bimestre. Como ainda não tive acesso a esse material não faço idéia de como será, mas espero que possa ajudar a resolver algumas dúvidas cruciais, como a da adequação da proposta à grade curricular irrisória da disciplina de Física.

Com essa postagem dou por encerrada a documentação do andamento das atividades de recuperação no período correspondente às seis primeiras semanas letivas de 2008 e passo a mudar o foco do blog em função das novas atividades desenvolvidas daqui para frente.

Considerações pedagógicas mais sérias e análises sobre as propostas curriculares serão feitas nas próximas semanas no meu outro blog destinado à discussão da educação de forma geral: o blog Aprendendo a Ensinar. Fica aqui o convite para que visitem esses meus blogs regularmente.