Archive for the ‘tempo de frenagem’ Category

Sobre os cintos de segurança

março 9, 2008

Cintos de segurança são dispositivos que, assim como os air bags, destinam-se a aumentar a proteção aos ocupantes de um veículo em caso de acidentes. Diferentemente dos air bags e, contrariamente à sugestão feita na Revista do professor (pág. 42, aulas 5 e 6), os cintos de segurança não aumentam de forma considerável o tempo de desaceleração dos ocupantes do veículo e, nesse sentido, não atuam como redes de proteção (contrariamente ao que sugere o texto da Revista do Professor).

A função básica dos cintos de segurança é distribuir as forças aplicadas nos ocupantes do veículo durante uma colisão por áreas não vitais do corpo, impedindo que os ocupantes se choquem contra o painel ou que acabem saindo do veículo. O aumento do tempo de desaceleração do ocupante devido ao cinto existe, mas não é significativo em face da maior distribuição das forças por áreas maiores e não vitais do corpo.

Os cintos de três pontas oferecem uma área de contato maior do que os cintos antigos de apenas duas pontas, o que reduz a intensidade da pressão exercida sobre as áreas de contato do corpo e, além disso, aumentam um pouco mais o tempo de desaceleração em relação ao cinto de duas pontas (mas esse aumento ainda não é suficiente para justificar seu uso com o propósito de obter um tempo de desaceleração razoável). Além disso tudo, os cintos de três pontas impedem que o tronco do ocupante gire, o que é especialmente importante para evitar traumas na cabeça e no tórax.

Em um dos links que passei na matéria “Air Bag” (“A biomecânica dos traumas de ocupantes de veículos“) há uma ótima discussão sobre os efeitos do cinto de segurança durante as colisões.

Um aspecto importante que a Revista do Professor não abordou nem sugeriu mas, que é fundamental para o aumento do tempo de desaceleração durante as colisões, e que o professor pode e deve comentar com seus alunos, é o fato dos carros modernos serem “quebráveis”, “amassáveis” e de possuírem “células vitais” para maior proteção dos seus ocupantes.

Durante uma colisão os carros modernos literalmente desmontam-se e amassam bastante, deixando protegida apenas a área interna destinada aos passageiros. Devido a esse maior tempo de “amassamento” do carro, a desaceleração é menor do que a que havia nos carros mais antigos e “duros” (resistentes).

Isso é curioso porque há ainda um mito, que sobrevive principalmente em pessoas com mais de 30 anos, de que os carros antigos eram melhores porque eram mais resistentes às colisões; isso é verdade mas, por outro lado, isso também causa desacelerações maiores para seus ocupantes, aumentando bastante o risco de traumas. Ou seja, o carro sobrevive, mas os passageiros não. 🙂

O cinto de segurança é especialemnte importante em colisões à baixa velocidade (0 – 60 km/h) e, paradoxalmente, muitas pessoas imaginam que em baixas velocidades estão protegidas mesmo sem o cinto de segurança. Em altas velocidades há bem pouca coisa, além da sorte, que pode proteger os ocupantes do veículo em caso de colisão.

Para saber mais sobre colisões, visite a página sobre colisões da “HowStuffWorks” (apesar do nome, é tudo em português).

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Tempo de reação e tempo de frenagem

fevereiro 26, 2008

Quando precisamos frear um automóvel não conseguimos fazê-lo de maneira instantânea (o que, aliás, é muito bom, pois isso seria o mesmo que bater em um muro de concreto!). Entre o instante em que observamos algo e decidimos acionar os freios até o momento em que o carro pára, muitas coisas acontecem:

1 – detectamos a necessidade de frear;
2 – decidimos frear;
3 – acionamos os freios;
4 – os freios desaceleram o veículo até pará-lo.

Os três primeiros itens dessa relação dizem respeito a um intervalo de tempo em que detectamos uma situação de risco e reagimos acionando os freios. O tempo total para que isso ocorra varia de pessoa para pessoa e é chamado de tempo de reação.

O quarto item da lista também demanda um tempo que depende do estado dos pneus do carro, do estado da pista e da eficiência do sistema de freios. Esse tempo é chamado de tempo de frenagem.

Durante esse tempo todo (tempo de reação + tempo de frenagem) o veículo continua se movendo de maneira que, ao parar, terá percorrido uma distância que depende de todos os fatores acima e da velocidade em que se encontrava no início da frenagem.

A tabela abaixo (obtida em http://www.oficinaecia.com.br/bibliadocarro/) e o gráfico ao lado dela nos mostra alguns resultados comuns para veículos e pessoas reais. Clique na figura para vêla ampliada.


Em situação de pista molhada ou durante a noite, a distância total percorrida até parar aumenta muito. Motoristas alcoolizados e que têm um tempo de reação muito maior do que o normal também precisam de distâncias muito maiores para parar (mas geralmente perdem também a noção disso).